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terça-feira, 4 de junho de 2013

Presidente de Angola dispensa comandante da polícia de Luanda

José Eduardo dos Santos, presidente de Angola, dispensou a comissaria-chefe Elizabeth Ranque Franque, que pertencia à Polícia Nacional de Luanda.

                A demissão ocorreu esta segunda-feira, depois de um fim-de-semana violento em Luanda que acabou em cinco mortes e a que o principal partido da oposição, a UNITA (União Nacional para a Independência Total), atribuiu contornos políticos.

            Três agentes foram assassinados, na madrugada de sábado, no município de Cacuaco, Luanda. Ainda não se sabe quem foi o responsável pelo crime. A UNITA culpou a polícia de ter morto dois dos seus dirigentes em Kikolo, Luanda, na noite de sábado.

            A UNITA colocou um texto no seu sítio da internet onde atribuiu a um militante de Cacuaco a afirmação de que se estava perante uma “reedição da caça ao homem” para a “eliminação seletiva dos militantes” do partido. Também atribuiu a um “observador desconhecido” a declaração de que a mortes dos polícias poderia “ser usada como pretexto para a eliminação dos quadros fortes da UNITA", em Luanda.

            Elizabeth Ranque Franque também era delegada provincial do Ministério do Interior. A sua exoneração vai obrigar a alguns arranjos nas estruturas da chefia da Polícia Nacional. A antiga comissaria passa a ser conselheira do comandante geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos.

            O comissario António Maria Sita é o novo comandante provincial de Luanda, que foi dispensado do cargo de comandante provincial e delegado do Ministério do Interior na província do Cunene.

Inês Sabino

sábado, 18 de maio de 2013

Passado em Angola


A tarde é de chuva, Jerónimo Madureira encontra-se num sofá da sua sala, com um robe cinzento vestido para o proteger do frio. Este homem de faces robustas mas olhos carinhosos combateu na guerra colonial em Angola entre 1965 e 1967 recordando esses dias num diário intitulado “O meu passado em Angola em Defesa da Pátria”.
Diário "O meu passado em Angola em defesa da Pátria
Um certo brilho nasce nos olhos deste valente combatente, mas o orgulho que sente em ter pertencido a tal companhia também lhe trouxe alguns desgostos.
“Foram tempos complicados” afirma Jerónimo quando começa a relembrar os anos que passou fora do seu país com os restantes membros da companhia.

Partiram para solo angolano a 28 de Maio de 1965 pelas 13 horas. Na despedida, milhares de pessoas choravam em terra, com a já saudade e incerteza se viriam a ver os seus entes queridos outra vez.
Chegaram a terras angolanas a 6 de Junho de 1965 e os dias seguintes foram passados em Grafanil sem nenhuma ocupação especial.

Cada dia era passado de forma diferente, nuns dias estavam de escolta, noutros de limpeza ao quartel “não haviam dois dias iguais” afirma.

A 10 de Julho saíram para uma operação chamada “Milho rei”. Consistia numa operação de 3 dias na mata onde destruíram cobotas. Numa passagem referente a essa operação lê-se “Neste dia 12 pelas cinco horas da tarde apareceu um inimigo que dispara um tiro no coração de Mário Bernardo que logo caiu por terra já morto em terra”. O dia seguinte foi passado “admirar morto” e despedir-se do colega de combate.
A própria companhia construía estradas para melhorar as passagens que tinham de atravessar.
Apesar de estarem numa guerra colonial, os desastres aconteciam mesmo fora de combates ou confrontos imprevisíveis. A nove de Outubro um desastre de automóvel deixou um 2º sargento ferido assim como dois soldados.

O primeiro natal passado fora do seu país foi passado em família com os colegas combatentes, estando em descanso desde dia 23 até dia 26, passados em paz. No entanto na véspera de ano novo, pelas duas horas da tarde um grande combate irrompeu, havendo até bombardeiros, mas “não houve nenhum azar” comenta Jerónimo, dizendo que foi um alívio ninguém ter morrido naquele combate.

O primeiro dia de 1966 foi passado numa operação que acabaria no dia seguinte, e no regresso ao quartel todos os combatentes iam atentos a um possível que ataque que felizmente não chegou a acontecer, chegando são e salvos ao quartel às onze da noite.
Devido à constante chuva e frio que se fazia sentir, Jerónimo adoeceu e ficou de cama durante quatro dias, nos quais a sua companhia partiu para mais uma operação da qual regressaram novamente sem nenhuma baixa.

Emblema da Companhia
Algo que este homem se lembra é de uma grande tempestade que houve a 24 de Março. Apontou esta tempestade no seu diário pois nunca tinha ouvido uma trovoada tão grande “ o céu iluminava-se de tal maneira que parecia dia! E o barulho dos travões era assustador até mesmo para quem combate na guerra”.

Durante uma pausa dos trabalhos, decidem fazer um jogo de futebol no qual a equipa de Jerónimo ganhou por 3-1.
Em Junho de 1966, durante mais um grande combate o 1º cabo levou um tiro na perna, que devido à falta de um hospital acabou por ser a sua morte.

Foi precisamente um ano depois a Junho de 1967 que a estadia desta companhia em Angola chegou ao fim. Para a sua despedida houve um desfile de todas as unidades que nesse dia abandonaram a terra. Acabado o desfile foram para o comboio que os levaria até ao barco. Os dias seguintes foram passados em água até ao terceiro dia de Julho, quando às oito horas da manhã chegaram a Lisboa, mais concretamente ao Cais de Alcântara.

Foi o fim da guerra colonial para esta companhia, mais não o fim de uma amizade. Até aos dias de hoje, todos os anos a companhia se reúne num almoço, que se prolonga até ao jantar, relembrando história antiga, cantando e recordando todos aqueles que se perderam nas batalhas.

Cátia Martins

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Mais de três mil crianças vão beneficiar de merenda escolar


Três mil e duzentos e oitenta alunos no distrito urbano do Kilamba Kiaxi (Luanda) vão beneficiar, a partir do dia 27 deste mês, de merenda escolar, deu a conhecer hoje à Angop (Angola Press) o chefe da repartição local da Educação.
Marcelino Leitão informou à imprensa que os alunos beneficiários da merenda serão de quatro escolas pertencentes ao distrito, com destaque para os da escola de ensino especial, que alberga estudantes com deficiências motoras, e ainda alguns estabelecimentos escolares situados na periferia do distrito. O responsável sublinhou ainda que esta merenda será composta por sumos, iogurte, bolachas, sandes e fruta é totalmente bem-vinda numa época que o absentismo escolar em Angola se torna preocupante, ao realçar que é uma aposta do governo que se espera que possa vir a atingir mais escolas na circunscrição durante o próximo ano.
O chefe da repartição local da Educação encara a distribuição da merenda escolar como um ganho para as comunidades, já que diminui o absentismo, estimula a aprendizagem, dá alegria e ajuda a manter as crianças nos recintos escolares. Em declarações à Angop, o responsável deu ainda a conhecer que “no ano passado na escola da área de Ananguengue frequentavam a escola apenas 420 alunos, mas com a implementação do programa de merenda escolar, dias depois o número cresceu para 700 alunos”.
Para o professor José Mendes Mário, docente há vários anos numa das escolas públicas do Kilamba Kiaxi, a atribuição da merenda escolar é o cumprimento das responsabilidades assumidas em relação aos 11 compromissos com as crianças em criar condições condignas para que tenham acesso à educação. Lembrou também que anteriormente existiam alunos a estudar sem carteiras e casas de banho em péssimas condições, mas hoje já existem infra-estruturas devidamente apetrechadas com todos os meios para um ensino com qualidade, pelo que a merenda escolar grátis também deve fazer parte desta evolução na educação angolana.
O distrito do Kilamba Kiaxi mostrou-se como o melhor "alvo" para este projeto pois com quatro bairros, possui 48 estabelecimentos escolares públicos, incluindo dois institutos politécnicos, três escolas secundárias do segundo ciclo, cinco escolas secundárias do 1º ciclo, oito escolas primárias do 1º ciclo, três complexos escolares e 26 escolas primárias. Tem também 120 escolas comparticipadas e 64 colégios. O projeto já tinha sido implementado anteriormente em alguns distritos, projeto este que os responsáveis pretendem fazer continuar a crescer.


Dora Pereira

sábado, 30 de março de 2013

Visitar Luanda sem sair de Lisboa já é possível




Binede Hyrcon, Edson Chagas, Kiluanji Kia Henda, Nástia Mosquito, Paulo Kapela e Yonamine são os seis artistas angolanos que o vão levar a viajar por Luanda. “Unlimited Image-No Fly Zone” é a exposição que o leva a voar pela história da capital angolana, através de uma série de fotografias e vídeos, complementados por diversos discursos, para mostrar a nova vida de Angola após a descolonização e a guerra. Desenhado por Fernando Alvim, Simon Njami e Suzana Sousa, “No Fly Zone” é a exposição que estará presente até domingo, dia 31, no Museu Berardo. Não precisa de levar o porta-moedas: a entrada é grátis.

Contactos:
Museu Colecção Berardo
Praça do Império
1449-003 Lisboa
Telefone: 213 612 400

Como Chegar:
Autocarros
729 (Carris, paragem Centro Cultural de Belém)
714, 727, 751 (Carris, paragem Mosteiro dos Jerónimos)
Eléctrico
15E (Carris, paragem Centro Cultural de Belém)
Comboio
Linha de Cascais (CP, paragem Belém)
Barco
Transporte fluvial a partir de Trafaria ou Porto Brandão para Belém (Transtejo)
Automóvel
A5, A36 / IC17, N6 / Av. Marginal (direcção Algés / Belém)
A2 / Eixo Norte-Sul, N6 / Av. 24 de Julho (direcção Alcântara / Belém)


Rute Fidalgo