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sexta-feira, 22 de março de 2013

O melhor café é o d’A Brasileira


A Brasileira do Chiado é um café emblemático, fundado em 19 de Novembro de 1905, situado na Rua Garrett junto ao Largo do Chiado, em Lisboa. Em novembro de 1905, o português Adriano Telles, que anos antes emigrara para o Brasil, onde acumulara um bom capital, inaugurava uma casa próxima ao Largo do Chiado, que chamou de “A Brazileira”. Mantendo grandes contatos no Brasil, Telles viu na importação de diversos produtos daquele país um excelente e lucrativo negócio. Vendia entre os exóticos produtos tropicais: a tapioca, a goiabada, piripiri e pimentas, chá e farinha, além dos tradicionais produtos portugueses, azeite e vinho.
Reza a lenda que Adriano Telles teria inventado o termo “bica”, para designar uma chávena de café. Servida de uma cafeteira, Telles teria ordenado ao empregado que trouxesse a bebida para ser servida em chávena cheia a partir da bica do saco. Usara a palavra bica, que passou a fazer parte do vocabulário lisboeta, sendo usado até os tempos atuais.
O café português “A Brasileira” está entre os 15 melhores cafés históricos da Europa, segundo o portal Global Grasshoppers.


Aos poucos, Adriano Telles, através d’A Brasileira, foi introduzindo o hábito do café aos habitantes de Lisboa. O sucesso levou o inaugurador da casa a transformá-la, em 1908, em uma sala de café, novidade que caiu no gosto da elite lisboeta. Rapidamente, beber um café na Brasileira do Chiado virou moda, sendo transformada em lugar de culto pelos sectores mais sofisticados da sociedade da época.
As paredes estão decoradas com diversas obras de pintores como Manuel Baptista, Hogan, Azevedo, Vespeira, Rodrigo, Eduardo Nery, João Vieira, Palolo e Noronha da Costa, que substituíram outros de uma outra geração entre os quais se distinguiram Almada Negreiros, Eduardo Viana, Bernardo Marques e Stuart Carvalhais. Com toda a importância que teve na vida cultural do país, A Brasileira do Chiado mantém uma identidade muito própria, quer pela especificidade da sua decoração, quer pela simbologia que representa por se encontrar ligada a círculos de intelectuais, escritores e artistas de renome como Fernando Pessoa, A assiduidade deste motivou a inauguração, nos anos 80, da estátua em bronze da autoria de Lagoa Henriques, que representa o escritor sentado à mesa na esplanada do café. Nenhuma visita a Lisboa está completa sem parar "na Brasileira," pois o café continua tão bom como sempre, apesar de já não chegar exclusivamente do Brasil.

Catarina Pena


sexta-feira, 15 de março de 2013

Café África: Doce Pimenta


Fica no Barreiro e o ar enche-se com vozes doces, mas apimentadas: Cesária Évora, Maria Alice, Kim Alves, Bana, Bonga, Mirri Lobo. O Doce Pimenta é um café, abriu portas em 1999 e é uma referência para a comunidade africana da Margem Sul. O dono, um cabo-verdiano chamado Elton Inocêncio, é toda uma figura.

“O cliente é sempre bem recebido, seja de onde for, desde que venha por bem", costuma dizer Elton. E, de facto, o café é um hino à boa disposição. Tem uma clientela fixa, maioritariamente frequentado por cabo verdianos, angolanos, guineenses. Os portugueses também aparecem, pois claro.

Para matar saudades de África serve-se amarula, uma bebida africana à base de
creme de leite, destilado de fermentado de marula, fruta macerada. É açucarada e aromática. As festas são constantes, às vezes organizadas, outras vezes não. Certo é que prestam homenagem aos melhores músicos que a África lusófona criou. Com som bem alto, como tem de ser.


Joana Vieira